ARTIGO: Outrora e Hoje
LIVRO: Literatura do Minarete
Título genérico com que Lobato se refere ao complexo cultural e literário de sua época. CIta escritores clássicos e consagrados, como José Bonifácio, José de Alencar; cientistas como Couto de Magalhães e Melo Matos; políticos como Silveira Martins; e coloca o passado literário brasileiro em confronto com a atualidade brasileira.
LIVRO: A BARCA DE GLEYRE - 1º Volume
Albino Camargo Neto (1893-1969), nascido em São Luiz do Paratinga e falcido em São Paulo. Professor de Psicologia e Lógica em Ribeirão Preto. Vereadpr e posteriormente Deputado Estadual. Foi também Advogado, Jornalista e Delegado de Polícia.
Integrante da turma do Minarete, república estudantil do começo do século XX, da qual fazia parte Monteiro Lobato, apelidada "amistosamente" pelo próprio de A Cainçalha."
LIVRO: Peter Pan
Segundo dos meninos perdidos, grupo liderado por Peter Pan, na Terra do Nunca. Como os demais, usava peles por causa do frio intenso e morava em uma caverna com todos os garotos; possuía uma árvore unicamente de sua propriedade.
LIVRO: A Barca de Gleyre - 1º Volume
Apelido afetuoso e sarcástico com que Monteiro Lobato se refere ao seu grupo acadêmico. Este se reunia na república de estudantes do Largo de São Francisco e era conhecido como o Minarete. Na foto, da esquerda para a direita: Lino Moreira, Tito Lívio, Albino Camargo Neto, Godofredo Rangel, Cãndido Negreiros, Raul de Freitas, Monteiro Lobato e Ricardo Gonçalves.
Cainçalha = matilha de cães ferozes.
ARTIGO: O Charuto
LIVRO: Literatura do Minarete
Nobre do interior paulista, personagem importante da juventude de Monteiro Lobato em Taubaté. É em uma recepção em sua residência que Lobato, acompanhando os demais, fuma pela primeira vez, desenvolvendo depois o vício do tabagismo.
ARTIGO: O Charuto
LIVRO: Literatura do Minarete
AUTOR: Monteiro Lobato
A mais tradicional marca de charutos do Brasil, fundada em 1'872 por Geraldo Dannemann (1851-1921), industrial alemão. Em uma reunião na casa do Comendador, em Taubaté, Lobato e seus colegas recebem charutos como cortesia.
Dona Benta, Narizinho e Pedrinho. Ilustração de André Le Blanc para "Geografia de Dona Benta" (SP, 1962, Editora Brasiliense)
LIVRO: Aritmética da Emília
Benta Encerrabodes de Oliveira, idosa senhora, viúva, proprietária do Sítio do Picapau Amarelo, onde transcorrem as narrrativas infantis de Lobato. Vive em companhia de sua fiel criada e cozinheira, Tia Nastácia, e de sua neta Narizinho. Recebe eventualmente as visitas, nas férias escolares, de seu neto Pedrinho.
Dona Benta encarna, na obra de Lobato, a sabedoria e a erudição sadias, longe do criticismo habitual do autor. Maternal e paciente, destila aos seus netos conhecimentos de Ciências, História e Gramática (História das Invenções, Viagem ao Céu, Geografia de Dona Benta). Como as demais personagens do Sítio, ela mesma deixa-se levar pelas aventuras de Pedrinho e Emília, como em O Minotauro.
No início da narrativa os meninos andam em busca de uma nova aventura, semelhante a do País da Gramática. O Visconde surge com a ideia de passearem na Terra-da-Matemática. Dona Benta, que havia feito algumas correções na gramática da Emília, volta para sua costura e os meninos vão organizar o grande circo matemático proposto pelo Visconde.
LIVRO: Emília no País da Gramática
Em Emília no País da Gramática Dona Benta apenas aparece na introdução do livro, tentando passar noções de Gramática a Pedrinho, que é convencido por Emília a uma viagem ao País da Gramática.
Emília, Desenho de André Le Blanc para Aritmética da Emília
LIVRO: Aritmética da Emília
Personagem principal, predominante e fio condutor das obras infantis de Monteiro Lobato. Boneca de pano falante, criada por Tia Nastácia e pertencente a Narizinho, aparece pela primeira vez em Reinações de Narizinho como uma boneca feita da macela e muda, só vindo a falar com as pílulas do Doutor Caramujo.
Feia e disgraciosa, autocrática e independente, irreverente e autoritária, não-convencional e libertária, anti-menina e anti-mulher; sempre com a língua e os maus modos para fora - a Emília de Lobato é o exemplo mais acabado de um anti-herói e uma personagem essencialmente moderna , Modernista mesmo.
Emília é responsável pelas rupturas espaço-temporais aparentemene impossíveis: as viagens e mundos explorados - Viagem ao Céu, O Minotauro, Emília no País da Gramática, Aritmética da Emília e O Picapau Amarelo. Idem em relação às dimensões e barreiras científicas de um século XX ainda no início: A Reforma da Natureza e A Chave do Tamanho. Para atingir seus objetivos é mesmo inescrupulosa e tirânica com seus subservientes: O Visconde de Sabugosa, o Marquês de Rabicó e o rinoceronte Quindim.
Talvez por causa desta furiosa torrente muitos críticos - bem e mal intencionados - veem na boneca apenas o reflexo e o modo de pensar de seu criador, Lobato, o que lamentavelmente os leva a acusações de racismo e intolerância para com a humanidade. Mas as falas de Narizinho e Dona Benta com laivos de bondade, servem como freio e contraponto às falas de Emília
Em Aritmética da Emília a turma do Sítio do Picapau Amarelo trilham os árduos caminhos da Matemática, movidos pela descoberta deste país pelo Visconde. Esta aventura vem em sequência do passeio no país da Gramática. Assim, numerais, algarismos, equações, frações e operações são abordados de um modo mais prático e divertido.
LIVRO: Literatura do Minarete
Forma monárquica de governo do Brasil desde 1822 (Proclamação da Independência) a 1889 (Proclamação da República). Aqui Lobato se refere ao Segundo Império (reinado de D. Pedro II - 1840-1889), passando a enumerar os "próceres", figuras de destaque nas artes e nas ciências, do Império até a República presente.
Lobato tinha 7 anos quando a República foi proclamada.
LIVRO: Na Antevéspera
José Bento Monteiro Lobato (1882-1948), escritor, tradutor e empreendedor paulista, nascido na cidade de Taubaté e falecido em São Paulo. Seu nome original era José Renato Monteiro Lobato, que alterou em homenagem ao avô, o Visconde de Tremembé. Teve educação de qualidade e cedo começou a escrever, ainda em idade escolar.
Formando-se em Direito, começou uma ativa vida intelectual, como líder dos colegas de sua geração, intitulados de O Minarete (república estudantil na qual se reuniam); Lino Moreira, Tito Lívio, Albino Camargo Neto, Godofredo Rangel, Cãndido Negreiros, Raul de Freitas, e Ricardo Gonçalves.
Casou-se com D. Pureza (Purezinha), com quem teve quatro filhos: Marta, Edgar , Guilherme e Rute.
A partir de 1910 inicia uma colaboração em diversos jornais da época, como articulista, tradutor e desenhista. Passa a administrar a fazenda herdada de seu avô e lança-se em projetos empresariais.
Frente aos problemas enfrentados pela queimada por caboclos em suas propriedades, publica no Estado de São Paulo um artigo que chamaria a atenção do mundo intelectual e literário. Surge assim o Jeca Tatu, figura que encarna o atraso do interior brasileiro e o abandono deste por parte dos governos.
Pré-modernista, discípulo ferrenho de Nietzsche e pessoa de arraigadas convicções, Lobato era uma pessoa de extrema franqueza. Em 1917 critica , no célebre artigo "Paranoia ou Mistificação?" a exposição da pintora Anita Malfatti, o que o leva a um grande confronto com os Modernistas, ainda em vias de se manifestarem como tais.
Em 1918 incia sua carreira como editor, ao comprar a Revista do Brasil. Funda depois a Companhia Editora Nacional. Inicia sua extensa obra voltada para o público infantil, com a publicação de A Menina do Narizinho Arrebitado (1920), ao mesmo tempo que Negrinha, iniciando também sua .produção literária para adultos. Traduziu e adaptou também clássicos autores de contos de fada, como Andersen, Grimm e Perrault. Concorre duas vezes à Academia Brasileira de Letras, sem sucesso.
Em 1926 viaja aos Estados Unidos, na esperança de melhores perspectivas para seus projetos, à beira da falência. Vola ao Brasil com uma ideia fixa: a de que O Brasil tem jazidas de ferro e petróleo, que devem ser exploradas pela iniciativa privada, como na América, rica, soberana e estável financeiramente graças à exploração destes produtos. Começa então uma grande desavença entre Lobato e o Governo brasileiro, duramente cotado pelo escritor, em obras como O Escãndalo do Petróleo e Ferro. É uma época de exceção, a do Estado Novo, que processa e sentencia o escritor a seis meses de prisão, dos quais cumpre três. Durante este período perde seu filho mais novo, Edgar. Seu outro filho, Guilherme, morre em 1942.
Em 1946 tenta a vida na Argentina, mas não se adapta. Filiando-se ao Partido Comunista, tem novo atrito com o Governo.
Bastante doente em seus últimos anos, falece em 4 de julho de 1948.
A Nota dos Editores que abre Na Antevéspera informa ao leitor que os artigos de Lobato constantes nesta obra são da época de Artur Bernardes e de Washington Luís, retratando o espírito daquela época.
LIVRO: Literatura do Minarete
O Brasil, em sua extensão territorial e natureza política. Uma forma mais literária ou jornalística de referir-se ao próprio Brasil. Mais usado em textos antigos, ufanísticos ou nacionalistas.
LIVRO: Emília no País da Gramática
Filho de Dona Tonica, neto de Dona Benta e primo de Narizinho. Personagem predominante no universo lobatiano, Pedrinho é a personificação da coragem e da bravura nativista, do espírito aventureiro. Destemido, com seu infalível "bodoque", é o comandante da turma do Sítio. Sedento e curioso de novos conhecimentos científicos, que logo põe em prática, geralmente com a interferência da Emília.
No início do livro Dona Benta procura ensinar lições de Gramática a Pedrinho , que reluta em aceitá-las, por tomarem tempo de suas férias. Uma vez convencido e encantado com o método educacional da avó, é depois convencido por Emília a levar a turma a um passeio ao País da Gramática.
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LIVRO: O Saci
Em O Saci temos Pedrinho em uma viagem ao país do medo e do sobrenatural, do desconhecido e de um intenso perigo, em uma das narrativas mais brasileiras de Lobato: uma aventura em pleno coração da Mata Virgem, local-tabu. Nesta obra só há lugar para duas personagens: ele e o saci, dominado e dominador. O folclore brasileiro, criaturas reais e imaginárias, o realismo e a crueldade da natureza selvagem são uma prova de fogo para o espírito indômito de Pedrinho.
LIVRO: D. Quixote das Crianças
Leitão, que é uma das principais personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Glutão, acompanha as aventuras da turma, sempre colocado em situações difíceis, como em Caçadas de Pedrinho. Em Reinações de Narizinho houve uma tentativa de casá-lo com Emília, que não deu certo.
Ao iniciar a narração das aventuras de D. Quixote para os meninos, Dona Benta entende que é preciso adaptar a linguagem difícil do livro. Ao fazer deste palavras suas, Emília festeja imensamente pedindo que não apenas Dona Benta use palavras suas, mas da própria Emília, dos meninos e de Rabicó.
O saci, pintura em nanquim de autoria do próprio Monteiro Lobato
LIVRO: O Saci
Personagem da mitoiogia e do folclore brasileiros. Possivelmente originário do Sul do país, da concepão indígena de encarar o oculto, as forças impenetráveiks e a natureza do mal. Possui outros nomes ao longo do território nacional, ou seja: saci-pererê, martim-cererê, matita-perê e outras designações.
É descrito como um negrinho, na verdade um duende, de uma só perna, vestido apenas com um barrete vermelho e sempre de cachimbo na boca; tem as mãos furadas. Sua especialidade é praticar o mal, atanazando as pessoas: entrança as crinas dos cavalos, faz a comida gorar e assusta os viajantes à noite, nas estradas. Como diz Tio Barnabé, ao ser consultado por Pedrinho: "Tudo que numa casa acontece de ruim é sempre arte do saci (17ª edição, SP, 1962, Editora Brasiliense).
Em O Saci, Pedrinho aventura-se a vencer um de seus grandes medos: o de capturar, vivo, um saci. Para isso recorre aos conselhos de Tio Barnabé, um negro velho que vive numa tapera fora do Sítio do Picapau Amarelo. Depois de ouvir a narração dos casos de sacis que já presenciou em sua vida, Barnabé ensina ao menino como pegar um saci.
Realizado seu desejo, Pedrinho está no coração da mata virgem, quando o saci se manifesta dentro da garrafa em que foi aprisonado. Fazendo ver ao menino do perigo que correrá, quando anoitecer na mata, este lhe restitui a liberdade. Começa então uma fascinante jornada noturna pelo país do medo: onças ferozes, uma sucuri que devora um boi inteiro, sereias na belra do rio que quase custam a vida ao menino e o temível ingresso na caverna da Cuca.
Informados por um emissário que a Cuca apareceu no Sítio e raptou Narizinho, Pedrinho e o saci empreendem uma alucinante viagem de volta montados em um porco-do-mato.
Visconde de Sabugosa, ilustração de André Le Blanc para Aritmética da Emília.
LIVRO: Aritmética da Emília
Visconde de Sabugosa, criatura feita a partir de um sabugo de milho, é, como a Emília, uma criação de Tia Nastácia. Parte integrante do Sítio do Picapau Amarelo, presente em quase todas as narrativas da turma, encarna o conhecimento científico e filosófico da humanidade. No entanto, é subserviente à Emília, servindo de projeto e teste para todos os experimentos e traquinagens da boneca. Assim, passa por situações extremas, tendo sido destruído pelo menos duas vezes: primeiro, na aventura com o Pássaro Roca, ao final de Reinações de Narizinho, quando cai no mar.
Reconstruído por Tia Nastácia na aventura seguinte, Viagem ao Céu, tem o viaual e a personalidade totalmente mudados. De outra feita, ao ser obrigado a ajudar Emília a descer pesados livros da biblioteca de Dona Benta em D. Quixote das Crianças, é esmagado pelos volumes que desabam da estante.
O Visconde de Sabugosa é o protagonista de O Poço do Visconde.
No início da obra, o Viscondes ente-se na obrigação de também inventar uma viagem com os integrantes do Sítio, de preferência científica, após o passeio da turma no País-da-Gramática. Assim surge a ideia de explorarem o País-da-Matemática.