LIVRO: O Garatuja
Sobrenome do escritor, pelo é qual é referido frequentemente. Remete a dois antecessores célebres e que muito influenciaram a trajetória do romancista cearense: a avó paterna, Bárbara, combatente na Revolução de 1817, em Pernambuco, e o pai, José Martiniano Pereira de Alencar, sacerdote católico, também implicado nos movimentos revolucionários da época, e em cuja residência, presente o menino Alencar, se reuniam os agitadores.
No texto crítico que abre a edição da José Olympio de 1957, intitulado Alencar - um formador de brasileiros, o escritor Mário Casasanta (1898-1963) mostra a influência de José de Alencar na formação de nossa brasilidade, enfatizando semelhanças e diferenças entre este e Machado de Assis.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Velho pescador encontrado pelo narrador da história no Convento de Olinda, conta a este que era apelidado de Tonico, quando criança. Uma noite, saiu com seu pai no barco para vender peixes em Olinda, quando encontraram um rapaz que vivia lá isolado, leproso ( o "Lázaro" da hístória). Tonico faz amizade com Francisco, seu nome verdadeiro, e herda deste uma caixa contendo seus diários pessoais, os quais enterra após sua morte. O narrador, após conseguir a localização da caixa, resgata os diários de Francisco e os publica.
As atrizes Zilka Salaberry e Norma Blum em cena de Senhora, , telenovela de 1975, da Rede Globo de Televisão. Direção de Herval Rossano.
LIVRO: Senhora
Personagem central, a Senhora da narrativa. Jovem que, aos dezoito anos, dsponta para a sociedade fluminense de uma forma meteórica , "proclamada a rainha dos salões", inconteste. Aurélia é órfá, criada por uma velha parenta, D. Fimrina Mascarenhas. O narrador assim a descreve:
"Como acreditar que a natureza houvesse traçado as linhas tão puras e límpidas daquele perfil para quebrar-lhes a harmonia com o riso de uma pungente ironia?
Os olhos grandes e rasgados, Deus não os aveludaria com a mais inefável ternura, se os destinasse para vibrar chispas de escárnio.
Para que a perfeição estatuária do talhe de sílfide, se em vez de arfar ao suave influxo do amor, ele devia ser agitado pelos assomos do desprezo?".
Apesar de sua situação de riqueza e conforto, Aurélia despreza a sociedade em que vive, os luxos e a opulência, tratando seus admiradores "pelo preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial."
Toda essa amargura, todo esse cinismo e insatisfação social eram, na verdade, motivados por um desejo de vingança pessoal contra o homem que a abandonou uma vez:, o Seixas. Desta forma consegue, legalmente, "comprar" o ex-amante e casar-se com ele. Daí resulta uma relação tirânica e conflituosa que predominará na história.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Autoridade religiosa máxima de uma Cúria Metropolitana. O pai de Tonico, aflito com a presença de um vulto na casa abandonada procura o Bispo local, que lhe revela toda a verdade sobre o misterioso desconhecido.
LIVRO: A Pata da Gazela
Raça de cavalos originária da Cidade do Cabo, resultante do cruzamento de cavalos árabes e persas, introduzida por imigrantes holandeses. Aparece em diversas obras de Alencar e de Machado de Assis.
Quando abre a narrativa uma parelha de cavalos do Cabo está na Rua da Quitanda, próxima à Rua da Assembleia; dentro, duas moças, Laura e Amélia.
LIVRO: O Garatuja
Convento das Carmelitas, fundado em 1750, instituição para recolhimento de religiosas localizada no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro. Alencar informa que a cerca do Convento terminava na Rua da Cadeia, atual Rua da Assembléia. O autor faz um longo panorama descritivo da cidade ao amanhecer, para introduzir a narrativa.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Fundado em 1850 com o nome de Igreja de Nossa Senhora do Carmo do Antigo Convento do Carmo de Santo Antônio de Olinda popularmemte conhecido como Igreja do Carmo de Olinda. Foi destruído na época da invasão holandesa, em 1631 e teve sua reconstrução iniciada a partir de 1654.
No início da história o narrador, um jovem acadêmico de Olinda, vagueia pela noite e vai meditar nas ruínas do convento.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Título dado a Deus, por ter criado todas as coisas, , na terra, no mar e nos céus, em seis dias (Gênesis, Capítulo 1).
Aqui Francisco, o jovem leproso, evoca a figura da mãe falecida e afirma que sua "alma, branca e pura, goza no seio do Criador." ( (Alfarrábios III, Rio, 1957. Livraria José Olympio editora. 4ª edição)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Título dado a Jesus e que significa o Ungido ou Messias, indicando assim sua missão específica, como anteriormente anunciado e prometido para a humanidade.
A referência à sua pessoa aqui é a da ressurreição de Lázaro (Evangelho de João, Capítulo 11). O Bispo refere-se ao rapaz em questão como um leproso, "um moço era como o que foi ressuscitado pelo Cristo." (Alfarrábios III, Rio, 1957. Livraria José Olympio editora. 4ª edição)
LIVRO: A Viuvinha
Pessoa, provavelmente uma dama, a quem é dedicada a obra. Não há maiores detalhes sobre ela.
LIVRO: Cinco MInutos
A mesma dama a quem é dedicada A Viuvinha.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Personagem feminina da primeira história criada por Francisco, com base nas histórias contadas por sua mãe. É uma mãe corajosa e sofredora, que luta por seus filhos.
LIVRO: A Alma do Lázaro
O autor alude ao "sopro de Deus, mens divinior", para lembrar a passagem do tempo e a finitude do homem, que ao final será apenas pó.
LIVRO: Cinco Minutos
Comparando a mulher à uma flor, com seu aroma , suas cores e suas folhas, Alencar afirma que a algumas flores (heliotropo, vioeta, jasmim) em especial Deus deu estes predicados; da mesma sorte deu à mulher " esse tato delicado e sutil, esse gosto apurado, que sabe distinguir o aroma o mais perfeito" (RJ, 1957. Livraria José Olympio Editora, 4ª edição).
LIVRO: A Alma do Lázaro
Invocação que profere Francisco, ao criar coragem para aproximar-se mais de Úrsula, tendo aguda consciência de seu estado, pedindo a Deus que o fulmine.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Navegador e militar português (1485-1554), primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. Fundador de Olinda, que é referida como a "nobre e florescente vila de Duarte Coelho", nas meditações noturnas do narrador.
LIVRO: A Alma do Lázaro
AUTOR: José de Alencar
Título de origem ibérica concedido aos soberanos espanhóis e portugueses, vigente até meados do século XVIII. Aqui cogita-se de enviar um procurador a El-Rei para resolver a questão do leproso abrigado na casa de Antônio.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Nome do rapaz leproso que se oculta nas ruínas da casa velha, o "Lázaro' da história, e que faz amizade com Tonico, o filho do pescador.
LIVRO: Diva
Pseudônimo utilizado pelo autor nesta obra. O livro abre com uma carta de Paulo, protagonista de "Lucíola", para G.M., explicando a origem do manuscrito e considerando este como um "outro perfil de mulher.
Ilustração de Santa Rosa para A Pata da Gazela. RJ. 1957. Livraria José Olympio Editora, 6ª edição.
LIVRO: Lucíola
Nome citado por Cunha, com quem Paulo, protagonista da história, travou conhecimento. Fazendo saber a este que já fora amante de Lúcia, pata surpresa de Paulo, acusa a moça de ser avarenta: ela vende as jóias e roupas que recebe: "Lúcia deve ter por aí em casa do Gomes ou do Souto seus trinta a quarenta contos" (RJ, 1957. Livraria José Olympio Editora, 4ª edição).
LIVRO: A Pata da Gazela
Personagem central da narrativa, o "leão da Rua do Ouvidor", assim chamado por causa de sua elegância destacada, um dos "príncipes da moda." É ele quem apanha o sapatinho caído na rua , pertencente a Laura, cujo lacaio deixou cair da carruagem.
Um autêntico podófilo, Horácio especula depois de quem será o calçado, fascinado pela aventura de poder restituir o calçado à sua dona; tece longas considerações sobre o calçado e se obstina em conhecer a moça. Idealista, coloca a estética do amor acima de tudo:
"Mas o que sentia Horácio era apenas o culto da forma, o fanatismo do prazer.
O amor, o verdadeiro amor consiste na possessão mútua de duas almas..."
"O mancebo admirava na mulher a formosura unicamente; apenas artista, ele procurava um tipo."
Assim, o rapaz peregrinou pelos salões da moda observando os tipos femininos, como se fossem estátuas em um museu. Seu gosto torna-se apurado e difícil, até que ele cai no tédio. Passa a amar realmente primeiro as moças, depois as senhoras:
"O amor já não tinha novidades nem segredos para ele, que o gozara em todas as formas; na comédia e no drama; no idílio e na ode."
Lançando-se na aventura do "pezinho", passa por extravagante:
"Essa paixão de Horácio, o que é senão uma aberração da alma, consagrada ao culto da matéria?? A voracidade insaciével do desejo vai criando dessas monstruosidades incompreensíveis."
LIVRO: A Alma do Lázaro
Chefe indígena que alia-se aos caciques Miraubi e Itabira, ajudando Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a fundar a vila de Olinda, em 1535.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Cacique que, aliado a outros chefes indígenas, ajudou Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a fundar a vila de Olinda, em 1535.
LIVRO: Senhora
Assinatura do autor na nota Ao Leitor que abre o livro. Alencar utilizou diversas assinaturas diferentes, além de pseudônimos, ao longo de toda a sua obra.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Educandário religioso fundado pela Companhia de Jesus na cidade de Olinda, Pernambuco. Fundado em 1551, como parte de um conjunto arquitetônico que incluía a Igreja de Nossa Senhora da Graça e o Seminário Maior de Nossa Senhora da Graça. O complexo foi destruído por um incêndio em 1631, e reconstruído entre 1661 e 1662.
Neste ponto da narrativa, o autor, estudante da academia de Olinda, busca a solidão e a contemplação noturna, em meio aos sítios históricos e ruínas de Olinda. Passa a relembrar os tempos áureos e históricos pelos quais passou a cidade, e agrupa o antigo colégio dos Jesuítas como um dos baluartes de resistência nas guerras da Invasão Holandesa.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Forma abreviada e simplificada do nome de Jesus Cristo, aqui usada no modo exclamativo, como invocação em um momento de perplexidade do garoto que toma amizade com o leproso da história, ao espionar o que este faz tarde da noite:
"Jesus! o corpo me tremia que nem linha d'anzol quando o peixe fisga!"(Rio, Livraria José Olympio Editora. 4ª edição, 1957)
LIVRO: As Minas de Prata
Referência aos "filhos de Jesus", ou seja, os jesuítas, que segundo Vaz Caminha , pretendem vingar-se de D. Diogo de Meneses, esquecendo-se que seu reino "não é deste mundo".
LIVRO: Cinco Minutos
Romancista, dramaturgo e político (1829-1877), nascido em Mecejana, Ceará. Considerado o maior romancista da Literatura Brasileira, com 20 romances, e todos considerados de boa qualidade pela crítica especializada, é também visto como o romancista que conseguiu levar a cabo o projeto idealizado pelos poetas da 1ª Geração Romântica (Gonçalves de Magalhães, Gonçalves dias e Araújo Porto Alegre); o de uma literatura nacionalista, com alma e tipos brasileiros, mais livre dos influxos da literatura europeia.
Descendendo de tradicional família nordestina, que esteve envolvida nos movimentos revolucionáros em Pernambuco, formou-se em Direito em São Paulo. Em 1848 retorna a Pernambuco para terminar a Faculdade de Direito. Na tentativa de seguir os passos do pai, lançou-se na política como Deputado Provincial. Tentou o Senado, mas sérias divergências com o Imperador não o permitiram. Após chegar a Ministro da Justiça, abandona a política, desgostoso com D. Pedro II.
No campo literário foi mais feliz: a publicação de O Guarani (1857) lhe trouxe prestígio, criando uma identidade nacional. Além deste romance, Iracema e Ubirajara completam sua trilogia indianista. Escreveu ainda romances históricos (As Minas de Prata, Guerra dos Mascates, O Garatuja, O Ermitão da Glória, A Alma do Lázaro), regionais (Til, O Tronco do Ipê, O Sertanejo, O Gaúcho), e urbanos, ambientados no Rio de Janeiro, então capital do Império (Senhora, Diva, Lucíola, A Pata da Gazela, Encarnação, Cinco Minutos, A Viuvinha, Sonhos D'Ouro).
No estudo introdutório feito para a edição de Cinco Minutos da José Olympio em 1957 (José de Alencar e a Língua Portuguesa), o romancista paraibano José Lins do Rego aponta na obra de Alencar influências importantes do Romantismo europeu (Chateaubriand, Cooper, Walter Scott) e mostra como o autor de O Guarani incorporou em suas obtas indianistas a teoria do bom selvagem de Rousseau. Lins do Rego conclui afirmando que a literatura indianista de Alencar ampliou consideravelmente o vocabulário da Língua Portuguesa.
LIVRO: O Garatuja
No texto crítico que abre o livro ( Alencat - um formador de brasileiros), Mário Casasanta comenta a sensibilidade e determinação do autor em trazer à luz os personagens que hoje estão definitivamente incorporados ao imaginário brasileiro:
"José de Alencar povoou-nos o mundo interior com sua admirável humanidade. (...) Impondo-nos as suas criaturas, com a empolgante sugestão de sua arte, proporcionou-nos uma noção preciosa, e vem a ser que pode haver hoimens capazes de ampliar as dimensões humanas, no sentido da sabedoria, da heroicidade ou da santidade. Ele acreditou no homem, atribuindo-lhe reservas estranhas de energia" (Rio de Janeiro, 1957, 4ª edição, Livraria José Olympio editora).
LIVRO: A Alma do Lázaro
Morador da cidade de Betãnia, na Judeia, irmão de Marta e Maria, tido como grande amigo de Jesus. A história de sua miraculosa ressurreição é contada no capítulo 11 do Evangelho de João. Após ser informado que Lázaro está gravemente doente, Jesus intenta visitá-lo, mas demora-se ainda em chegar a Betãnia.
Ao chegar, encontra Lázaro já morto e sepultado há quatro dias. Os parentes e amigos estão consternados, assim como sua irmã Maria. Marta expressa sua amargura pela ausência de Jesus e sua chegada aparentemente tardia.
Jesus ressuscita a Lázaro, fato que leva muitos judeus a crerem nele. Apesar do milagre realizado, os sacerdotes e fariseus procuram matar a Jesus e a Lázaro.
Na Hagiografia católica o dia de São Lázaro é realizado no dia 17 de dezembro, havendo aqui uma confusão com o outro Lázaro das Escrituras - o da parábola do rico e do pobre.
Em "A Alma do Lázaro" Alencar narra o drama de um jovem leproso que vive isolado, à margem da sociedade, cognominado assim de "Lázaro". Esta denominação geral dos leprosos foi muito comum no Brasil antigamente, gerando inclusive termos preconceituosos como "lazarento".
LIVRO: A Alma do Lázaro
Irmã de Francisco, o leproso. Cuida do irmão, com constrangimento, evitando ser vista pela população. Parte com o marido para Lisboa, causando grande dor em Francisco.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Também conhecido pelos nomes de Fortim de São Francisco de Olinda, Forte Montenegro e Fortim do Queijo. Fundado por Matias de Albuquerque em 1629 para defender Olinda das invasões holandesas, foi tomado por estes e só reconquistado em 1648.
O jovem narrador da história alude ao heroísmo da população local, lembrando as lutas passadas em defesa da cidade.
MARIA (1)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Escrava que serve a Francisco por algum tempo, trazendo-lhe alimentos. No final pede para que seja vendida a outro, abandonando-o também.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Bíblica mãe de Jesus. Jovem judia, esposa de José. Recebe a visita de um anjo que anuncia-lhe sua futura gravidez. Concebe do Espírito Santo a Jesus, o Cristo. Venerada na Igreja Católica como Santa e Imaculada.
Aparece invocada na Ave Maria cantada pela menina Úrsula, cuja letra Francisco reproduz na narrativa.
Guerra dos Mascates, Xilogravura de Italo Henrique, 2011
LIVRO: O Garatuja
Advogado e educador (1898-1963), nascido em Camanducaia, MInas Gerais, e falecido em Belo Horizonte. Um dos idealizadores do Manifesto dos Pioneiros, em 1932, Casasanta esteve na frente no projeto de renovção do Ensino, em Minas Gerais. No governo Abgar Renault (1956-1958) foi Secretário de Educação, implementando importantes reformas no ensino público.
Casasante é o autor do texto crítico que abre a edição da José Olympio de 1957, intitulado Alencar - um formador de brasileiros. Neste artigo o educador ressalta a influência de José de Alencar na formação de nossa brasilidade, comparando-o com Machado de Assis e acentuando as diferenças entre ambos.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Movimento civil e nativista ocorrido em Recife e Olinda, entre 1710 e 1711, envolvendo os principais senhores de engenho de açúcar e os comerciantes portugueses, apelidados de Mascates por venderem suas mercadorias de porta em porta.
Após a expulsão dos holandeses e com a alta dos preços do açúcar, graças à concorrência dos plantadores das Antilhas, os senhores de engenho pernambucanos passaram a tomar empréstimos junto aos comerciantes portugueses (reinóis), gerando assim uma situação de dependência econômica.
A emancipação da cidade do Recife acirrou os ânimos, pois os senhores de engenhos não aceitaram a nova situação política, que colocava em pé de igualdade os latifundiários e os comerciantes. Sob liderança de Bernardo Vieira de Melo, os olindenses se revoltaram. Os comerciantes saíram vitoriosos, ao final. O movimento lançou sementes para importantes conflitos civis posteriores, como a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador.
José de Alencar dedica um de seus romances, Guerra dos Mascates, a esta parte da história pernambucana.
O narrador afirma que a Guerra dos Mascates foi fundamental para dar a primazia de capital de Pernambuco à Cidade Maurícia, em lugar de Olinda.
Franz Post, "Cidade Maurícia e Recife"
LIVRO: A Alma do Lázaro
Parte da cidade do Recife, edificada em 1636 na ilha de Antônio Vaz, no período da Invasão Holandesa, por Maurício de Nassau. Após a expulsão dos holandeses, em 1654, passou a se chamar Povoado de Santo Antônio.
O narrador comenta que a nova povoação veio a rivalizar com Olinda, tendo inclusive a primazia de ser a primeira capital de Pernambuco.
LIVRO: Til
Personagem predominante no livro, filho de Nhá Tudinha e irmão de criação de Berta, por quem sente atração. Age como um protetor ou irmão mais velho da moça. Procura estudar e ascender socialmente.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Chefe indígena que, ao lado de Itagipe e Itabira, ajudou Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a fundar a vila de Olinda, em 1535.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Um dos títulos atribuídos a Maria , mãe de Jesus. Sua veneração como santa começou no século XII, em Portugal, e espalhou-se pelo Brasil, notadamente na Região Norte, onde ocorre o chamado Círio de Nazaré, na cidade de Belém, durante o mês de outubro.
Antônio, o pescador, conta para o narrador como chegou a conhecer o "Lázaro" da história. Em certa noite, voltando de barco, ele e o pai avistam um vulto em uma casa abandonada. É então que o pai profere a invocação à Santa por proteção.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Município pernambucano, a segunda maior cidade do Estado, na verdade geminada com a cidade do Recife, Olinda é a cidade mais antiga do Brasil. Fundada em 1535 pelos portugueses, é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
Boa parte da História do Brasil se deu em Olinda: a adoção das Capitanias, a Invasão Holandesa, a Revolução Pernambucana, a Guerra dos Mascates e outros eventos históricos.
Famosa internacionalmente por seu Carnaval, possui uma explicação curiosa para sua etimologia. Conta-se que Duarte Coelho, ao contemplar do alto suas terras, teria exclamado: "Oh, linda situação para se construir uma vila!"
No início da história o narrador informa ser estudante na academia de Olinda. Sai a vaguear pela noite, meditando, e contempla o casario, as ruínas e os prédios históricos: o convento do Carmo, as fortalezas do Mar e de São Jorge, o colégio dos Jesuítas e o convento de São Francisco.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Antonio de Oquendo y Zandategui (1577-1640), almirante da esquadra espanhola que derrotou a armada holandesa de Adrian Pater, na Batalha Naval de Pernambuco, em 1631.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Adrian Jansz Pater, almirante holandês, derrotado pela frota espanhola de Antonio Oquendo, na Batalha Naval de Abrolhos ou Batalha Naval de Pernambuco, no período da Invasão Holandesa., em 12 de setembro de 1631. O almirante teria se lançado ao mar, envolto na bandeira de seu país, e pronunciando o epitáfio : "O oceano é o único túmulo digno de um almirante batavo."
O narrador recorda este e outros feitos navais históricos, em suas circunvagações noturnas.
LIVRO: Til
Um dos mais importantes rios brasieiros, e um dos maiores do Estado de São Paulo, com 155 km, nasce na cidade Americana e passa por diversas cidades, especialmente Piracicaba, terminando no sul de Minas Gerais. Foi uma via de navegação importante na época da escravidão e do ciclo da cana-de-açúcar. É o maior afluente do Rio Tietê.
O Rio é cenário e pano de fundo para a narrativa de Til, descrito como "um grande manancial " com seu "múrmure soturno".
LIVRO: A Alma do Lázaro
Situado em Olinda. foi construído em 1585, com projeto do Frei Francisco dos Santos, e mais tarde destruído pelos holandeses no período da invasão. Foi reconstruído posteriormente. Outra importante parte da história da cidade, rememorada pelo narrador.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Antiga fortaleza reconstruída por Matias de Albuquerque, para resistir às invasões holandesas. Situava-se no istmo entre Recife e Olinda.
O narrador, estudante na Faculdade de Olinda, vagueia pela noite e contempla as ruínas históricas da cidade de Olinda, dentre elas o Forte, um dos símbolos da resistência dos brasileiros contra o invasor estrangeiro. Também conhecido como Forte de São Jorge Velho.
SÃO PEDRO GONÇALVES, IGREJA DE
LIVRO: A Alma do Lázaro
Igreja onde foi sepultada a mãe de Francisco, o leproso. Há uma Igreja com este nome, na cidade de João Pessoa, construída em 1843, mas não nos parece ser a mesma. Alencar não dá mais indicações sobre ela.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Nome mais completo e mais comum para Satã.
Ao encontrar-se com Úrsula, a menina das Ave Marias, Francisco recebe no rosto as pétalas da roseira que esta desfolha. cai em si, tem consciência de sua precária situação e compara-se a "Satanás submergido nas trevas pela mão do Sempitetno."
LIVRO: A Alma do Lázaro
Pronome de tratamento e forma respeitosa e invocatória do nome de Deus. Invocado por Tonico, o velho pescador, no primeiro contato com o narrador:
"Bendito e louvado seja o Senhor! foi a saudação que me dirigiu." (RJ, Livraria José Olympio Editora. 4ª edição, 1957)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Qualidade do que é eterrno, durável (sempre + eterno). Um dos atributos de Deus, aqui colocado em confronto com Satanás, na consciência de Francisco, ao receber no rosto as pétalas da roseira desfolhada por Úrsula.
LIVRO: Ubirajara
Possivelmente Tauari, árvore sagrada para os indígenas, utiizada para confecção de charutos, usados em defumações rituais.
No texto Araci reconhece o cocar que Jaguarê usa, pertencente a uma nação de índios valorosos e confirma a informação dos pajés de sua tribo, dizendo que "a útlima lua chegara aos campos do Taari" (RJ, Edições de Ouro).
LIVRO: A Alma do Lázaro
Personagem da mitologia grega. Rei da Lídia, marido de Dione, pai de Níobe e Pélope. Filho de Zeus com a princesa Plota. Para provocar os deuses, roubou seus manjares, servindo-os com a carne de seu próprio filho Pélope. Como castigo, foi lançado no Tártaro, num vale abundante de água e comida, mas sem poder saciar jamais sua sede e fome, pois os elementos naturais fugiam à sua aproximação. Vem daqui a expressão "suplício de Tântalo."
Aqui Francisco se compara a Tãntalo em sua avidez, em sua "sede de ventura", resultando de tudo isso, porém, o "mais negro fel."
LIVRO: Til
Principal rio do Estado de São Paulo, afluente do Rio Paraná, praticamente cobrindo toda a sua extensão. Nasce em Salesópolis, na Serra do Mar e deságua na barragem do rio Jupiá, no Rio Paraná, possuindo 1 136 km.
A narrativa do livro passa-se às margens do rio Piracicaba, "que leva ao Tietê o tributo caudal de suas águas" (Rio, 1951, Livraria José Olympio Editora).
Ilustração de Santa Rosa para a edição de Til. RJ, 1951, Livraria José Olympio Editora
LIVRO: Til
Personagem-título deste romance pertencente ao ciclo de romances regionalistas de Alencar, e ambientado no interior de São Paulo. O livro foi publicado em 1846.
Til é o apelido de Berta, menina criada às margens do Rio Piracicaba. Desde criança convive com Miguel, seu irmão de criação. Ela, que foi rejeitada ao nascer, sofre, no entanto, a atenção de Jão Fera, matador de aluguel, além do próprio Miguel e de outro rapaz, Alonso, ambos apaixonados por Berta.
Seu apelido vem da tentaitva de alfabetizar Brás, rapaz com problemas mentais. Em seu delírio, Brás relaciona as pessoas pelas letras e sinais, cabendo a Berta o "Til".
Grande parte da narrativa envolve a pessoa de Luís Galvão, que é jurado de morte por Jão Fera, mas que é impedido por Til. Com o passar do tempo ela descobre que Galvão é, na verdade, seu pai, mas como está afeiçoada a Jão, seu protetor, reluta em aceitar esta condição.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Apelido do pescador Antônio, quando criança, época em que encontra Francisco, o leproso - o "Lázaro" da história - travando com este amizade e recebendo do mesmo o encargo de cuidar de seus diários pessoais, após sua morte.
LIVRO: Ubirajara
Personagem-título e central do tercdeiro romance indianista publicado por José de Alencar, em 1874, consolidando a trilogia indígena do romancista cearense, depois do sucesso de O Guarani e de Iracema.
A obra narra a história de Jaguaré, valente indígena e vencedor de muitos duelos e provas, caçador nato e orgulho de sua tribo. Após vencer um grande desafio, derrotando seu oponente Pojucã, muda seu nome para Ubirajara, que significa o senhor da lança. Com outro nome, Jurandir, derrota os que cobiçavam a mão de Araci, irmã de Pojucã. Isto gera um conflito que degenera em uma guerra envolvendo araguias, tapuias e tocantins. Ubirajara lidera a guerra, saindo vencedor e pacifica sas tribos, que então formam a nação Ubirajara.
"Como em Iracema, a criação do mundo é contada pela tradição oral indígena, mas em Ubirajara a ela alia-se a odisseia do homem bravo: é assim que Ubirajara, agora nomeado Jurandir pelos tocantins que o hospedam, rememora suas origens divinas, num relato repleto de hipérboles e de empáfia. A narrativa ainda faz alusão a duas importantes lendas indígenas: as amazonas e a muiraquitã, a famosa pedra verde, que mais tarde também terá um papel determinante em Macunaíma, êmulo da literatura indianista de Alencar" (EURIVAN R. CRUZ, "A Natureza e o Homem na Literatura Brasileira". Curitiba, 2011, Editora Appris).
LIVRO: A Alma do Lázaro
Menina de doze anos que, sempre ao anoitecer, entoa uma Ave Maria com voz suave, extasiando Francisco, o leproso. Os dois se conhecem posteriormente, e Úrsula chega a rezar por Francisco. É o último consolo de sua triste existência, após a partida de sua irmã Luzia e da escrava Maria. Ela morre algum tempo depois, e os familiares culpam o leproso por sua morte, esbordoando-o. Roubando o cadáver da menina , tem a casa incendiada pelos populares.