LIVRO: Uma Vida em Segredo
Waldomiro Freitas Autran Dourado nasceu em Patos de Minas, em 1926. Formado em Direito e exercendo o Jornalismo, iniciou sua carreira literária com o romance Teia, de 1947. Com Sombra e Exílio (1950), ganha seu primeiro reconhecimento da crítica literária, ao receber o Prêmio Mário Sette, do Jornal de Letras. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1954. De 1958 a 1961 foi Secretário de Imprensa da Presidência da República, no Governo Juscelino Kubitschek. O autor faleceu em 2012.
Dono de um estilo ímpar e original, profundamente antenado com os princípios do Modernismo, Autran tem como principal característica o fluxo de consciência: suas personagens movem-se em um terreno permeado por uma espécie de confusão mental, de caos interior. Para isto contribui a completa abolição do travessão como moderador de diálogos, além de constantes interrogações de teor retórico.
Notável em Autran ainda é o seu apego às coisas de Minas, a Minas do interior, calada fundo no homem do povo e nas tradições, mas com uma grande melancolia e perplexidade do Inevitável. Porque o Inevitável é outra marca de Autran. Como ele admite em Meu Mestre Imaginário, o Fatalismo dos gregos é sua maior influência. As pessoas estão presas e ligadas a um destino inexorável e trágico. Neste campo sobressaem-se as mulheres, verdadeiras Medeias, sofridas ao extremo, mas de temperamento forte e determinante: Rosalina, de Ópera dos Mortos, Prima Biela, de Uma Vida em Segredo e Malvina, de Os Sinos da Agonia, por exemplo.
De suas obras destacam-se, além das citadas acima, A Barca dos Homens, O Risco do Bordado e Solidão, Solitude.
Na foto acima, o autor fotografado por Carlos Cairo, para a edição de Uma Vida em Segredo da Edições de Ouro, Rio de Janeiro.
LIVRO: Ópera dos Mortos
Filósofo grego (500 a.C. - 450 a.C.), nascido em Éfeso (atual Turquia), da linha dos pré-socráticos, cognominado "O Pai da Dialética". De suas obras sobreviveram apenas alguns fragmentos. Sua obra mais importante é Sobre a Natureza.
O livro abre com uma epígrafe sua, do Fragtmento 93, segundo a catalogação de Hermann Diels.
LIVRO: Ópera dos Mortos
Filólogo e historiador alemão (1848-1922), nascido em Wiesbaden. Especializou-se na pesquisa de escritos e documentos do período pré-socrático da cultura grega. em 1903 publica Os Fragmentos dos Pré-Socráticos, obra clássica e referencial no gênero.
A Abertura do livro é uma citação de Heráclito, catalogada por Diels como Fragmento 33.
LIVRO: Ópera dos Mortos
Coronel Honório Cota, pai de Rosalina, filho de Lucas Procópio, mandatário e chefe político da cidade.
LIVRO: Ópera dos Mortos
Igreja edificada pelos ancestrais de Lucas Procópio e Honório Cota: bandeirantes, garimpeiros e fazendeiros.
LIVRO: Ópera dos Mortos
Nome completo do Coronel Honório Cota, "de nome e conhecimento geral da gente, homem cumpridor".
LIVRO: Ópera dos Mortos
Coronel e influente mandatário, cuja história é narrada no livro anterior de Autran, Lucas Procópio. Construtor do sobrado e pai de João Capistrano. Homem de "passado escondido e muito tenebroso."
LIVRO: Ópera dos Mortos
Personagem central do romance, é também existencial e trágica como outras personagens femininas de Autran Dourado, especialmente Prima Biela (Uma Vida em Segredo) e Malvina (Os Sinos da Agonia). O senso da fatalidade grega , tão presente na obra do romancista mineiro, se faz presente aqui mais uma vez,.
Rosalina é filha do Coronel Honório Cota, cuja família patriarcal aparece em outras obras de Dourado. Vive solitária no sobrado que herdou de seu pai, com Quiquina, a empregada de confiança. Quando nova teve um breve romance com Emanuel, filho de Quincas Ciríaco, amigo de infãncia de seu pai e íntimo da família. A família, contudo impediu seu casamento, e Rosalina nunca mais se abriu para o amor.
Rosalina passa os dias tecendo rosas artificiais que Quiquina vende no mercado. É quando chega à cidade Juca Passarinho, um caçador e faz-tudo, que se instala no casa rão para prestar serviços. Os dois iniciam um improvável romance, que termina de forma trágica.