LIVRO: Gente Pobre
Personagem principal do conto "O Capote", de Nikolai Gogol (1809-1852), uma das mais icônicas personagens da Literatura Russa e Universal. Funcionário publico desprezado por todos e mal vestido, aceita a sugestão de comprar um capote novo para melhorar sua aparência. A narrativa de Gogol toma ares de ficção fantástica e surreal, passando a dominar as ações de Akákievitch. O descontrole que ocorrre em seguida em sua vida é uma forte crítica social de Gogol, um dos criadores da Literatura Russa.
Em "Gente Pobre" os protagonistas Makar Diévuchkin e Varvara Aliksiêivna trocam longas cartas, envolvendo diversos assuntos, entre os quais a Literatura. A moça afirma estar encantada com a leitura de "O Capote" e remete um exemplar para Makar. Funcionário público como a personagem do romance de Gogol, Diévuchkin recebe mal a leitura, ao sentir-se retratado, tecendo críticas azedas ao texto em questão.
O jovem ator William Shatner, no papel de Alexei (Alieksiéi), em "Os Irmãos Karamazóvi", filme de 1958, dirigido por Richard Brooks.
LIVRO: Os Irmaõs Karamázovi
Personagem principal da narrtaiva. O mais novo dos três irmãos, é o religoso do grupo: cristão e pacificador, em contraponto com o ateísmo de Ivan e a turbulência de Dmitri. Conhecido como Aliocha, vive em um mosteiro, sob às ordens do Padre Zosima.
ALIEKSIÉI FIÓDOROVITCH KARAMÁZOV
LIVRO: Os Irmaõs Karamázovi
Nome completo do mais velho dos três irmãos Karamázov.
V. Alieksiéi Fiódorovitch.
LIVRO: Os Irmaõs Karamázovi
Segunda esposa (1846-1918) de Dostoievski. Foi assistente do marido como estenógrafa e escreveu dois livros de memórias após sua morte. O casal teve cinco filhos: Sofia, Alyosha, Liubov, Fiodor e Alexei.
O escritor lhe dedica esta narrativa.
LIVRO: Gente Pobre
Um dos principais epítetos de Deus por ter feito toda a criação em apenas seis dias, com perfeição - "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom" (Gênesis 1:31).
Em sua primeira carta a Varvara Alieksiêievna, Makar Diévuchkin agradaece a Deus Criador por estar bem de saúde, elogiando o sistema de comunicação traçado entre os dois, a cortininha que indica o início e término da conversação.
LIVRO: Um Jogador
Deus é um conceito e uma palavra muito presentes ao longo da obra de Dostoievski. Sua doença crônica, sua experiência de quase-morte e as extremas dificuldades por que passou na vida o empurraram para um Cristianismo existencialista e questionador. O questionamento sobre sua existência em Os Irmãos Karamazovi, a projeção do Príncipe Mitchkín em O Idiota e o clima opressivo de Os Demônios são alguns aspectos do misticismo do autor.
Ao regressar a Roletenburgo, a cidade dos jogos, o narrador se decepciona ao perceber que não era aguardado , "sabe Deus com que ansiedade" pelos seus (Tradução de Boris Schnaiderman, SP, 2019, Editora 34).
LIVRO: Gente Pobre
Sobrenome da personagem principal, Makar, e que significa em russo, "moça", aludindo à sua delicadeza como pessoa, durante sua correspondência com Varvara.
LIVRO: Os Irmãos Karamázovi
Proprietário de terras, pai dos três Irmãos Karamázovi.: Dimítri, Ivã e Alieksiéi. Foi casado duas vezes. sendo Dimitri filho do primeiro casamento com Adelaide Ivánovna. A união do casal foi bastante tumultuada: esbanjou o dote da esposa, além de se agredirem com frequeência. Adelaide fugiu com um seminarista e deixou Dimítri (Mítia) a cargo do pai.
Pavlóvitch transforma sua casa em um harém e um antro de bêbados, desinteressando-se por completo da educação do filho. Mais tarde, casa-se segunda vez com Sofia Ivânovna, com quem terá Ivã e Alieksiéi.
Após a morte de Sofia, Pavlóvitch emigra para Odessa, onde passa a conviver com a comunidade judaica. É relatado que continua na devassidão, frequentando bordéis e embriagando-se cada vez mais. Bastante envelhecido é descrito desta maneira:
"Sua fisionomia trazia então os traços da existência que levara. Às pequenas bolsas que pendiam sob seus olhinhos sempre descarados, desconfiados, maliciosos, às rugas profuinas que sulcavam sua cara gorda vinha juntar-se, sob seu queixo pontudo, um gordo pomo-de-adão, carnudo, que lhe dava o ar de um luxurioso repelente. Juntai a isto uma larga boca de carniceiro, de lábios intumescidos, em que apareciam os cacos enegrecidos de seus dentes apodrecidos. Espalhava saliva toda vez que falava. De resto, gostava de zombar de sua figura, se bem que ela lhe agradasse, sobretudo seu nariz, não muito grande, mas bastante reduzido e curvo.' (Tradução de Natália Nunes e Oscar Mendes. SP, 1971. Abril Cultural. 2ª edição).
LIVRO: Gente Pobre
Anna Fiodoróvna, senhora que tem a seu cuidado Varvara Alieksiêievna. As duas tem algumas rusgas; Varvara se queixa em suas cartas a Makar que Fiódora a critica por sua atual situação familiar, e que pretende investigar tudo a seu respeito.
LIVRO: A Aldeia de Stepántchikovo e Seus Habitantes
AUTOR: Dostoievski
Tio do narrador, coronel reormado que passa a residir na aldeia de Stepántchikovo, como um proprietário de terras.:
"Seria difícil imaginar uma pessoa mais cordata e mais complacente com tudo. Se inventassem de lhe pedir , com ar sério, para que carregasse alguém nos ombros por duas vérstas, talvez ele de fato carregasse: era tão bom que por vezes seria capaz de entregar absolutamente tudo ao primeiro que lhe pedisse e dividir o último pedaço de pão com o primeiro que desejasse. Sua aparência era hercúlea: alto e esbelto, com bochechas coradas, dentes brancos como o marfim,,longos bigodes de um loito escuro, uma voz alta e sonora, e um riso franco, retumbante; falava de maneira entrecortada e atropelada" (Tradução de Lucas Simone. SP, 2014, Editora 34, 2ª edição).
O narrador prossegue informando que Rostániev desde os dezesseis anos passara a servir aos hussardos. Casara jovem, e enviuvara, infelizmente. Herdou a aldeia de Stepántchikovo, com seiscentas pessoas. Teve dois filhos; o menino Iliucha e a menina Sáchenka. Passa ser tiranizado pela própria mãe, que enviuva e casa de novo com um general, reclamando da insuficiência da propriedade para seu próprio sustento.
LIVRO: A Aldeia de Stepántchikovo e Seus Habitantes
Diminutivo de Iliá (em português: Elias). Menino de oito anos, filho do general Iegor Ilitch Rostaniév, tio do narrador. Irmão de Sáchenka (Aleksandra), de quinze anos. A mãe morreu dando-o à luz. Passa viver na propriedade rural de Stepántchikovo com a família.
CONTO: Bobók
LIVRO: Bobók
Protagonista e narrador do conto. Escritor desprezado pelos demais, tido como tímido e louco,, frustrado com a vida, vai a um sepultamento e acaba cochilando sobre uma das sepulturas. A partir daí entra em um universo paralelo e surreal, onde os mortos e os esqueletos dominam a cena.
LIVRO: OS Demônios
Forma abreviada e simplificada do nome de Jesus Cristo.
Jesus aparece aqui na citação do Evangelho de Lucas, no trecho em que o Salvador expulsa uma legião de demônios de um possesso, o que faz com que aqueles passem a habitar uma manada de porcos, que se precipita num despenhadeiro. Mais tarde os circunstantes "saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem haviam saído os demônios, e se atemorizaram."
O trecho das Escrituras, que serve como epígrafe da obra, alude aos "demônios " , fanáticos religiosos e políticos, muito em voga na época do autor, determinantes para a narrativa, e que dão título ao livro.
LIVRO: Gente Pobre
Personagem principal de seu primeiro romance, publicado em 1846. Diévuchkin é um funcionário público residente em São Petersburgo que troca cartas com sua vizinha, uma jovem costureira chamada Varvara Alieksiêievna. Entre 8 de abril e 30 de setembro de um ano não especificado escrevem um ao outro uma correspondência apaixonada que, ao final, é lamemtavelmente interrompida pela forçosa partida de Varvara para outra cidade.
LIVRO: Um Jogador
Irmã do general de cuja comitiva faz parte o narrador. Este entrega a ela o dinheiro obtido; ela confere a quantia e ouve seu relatório.
LIVRO: Crime e Castigo
Centro comercial de São Petersburgo, localizado na Praça Senaya (mais tarde rebatizada de Praça da Paz). Por ele transita, no início da narrativa, o desconhecido e obscuro Raskolnikov.
LIVRO: Um Jogador
Integrante da comitiva do general, da qual também faz parte o narrador.
Livro: Gente Pobre
Vladimir Fyidorovitch Odoiévski. Escritor russo (1804-1869), autor de livros infantis e de novelas fantásticas, ao estilo de E.T.A. Hoffmann. Também atuou como crítico musical. Um trecho de um de seus contos, "O morto vivo" serve como epígrafe do livro. Não atinamos a razão do título de Príncipe.
LIVRO: Os Demônios
Aleksandr Serguêievitch Pushkin (1799-1837), também grafado Púchkin como nesta tradução de Oleg Almeida. Escritor russo, autor de A FIlha do Capitão e O Prisioneiro do Cáucaso. Fundador da literatura russa e seu maior poeta. Contemporâneo de Gogol, Lermontov e Turguniev. Morreu em um duelo por questões de honra pessoal.
Seu poema Os Demos é citado como epígrafe na abertura do livro.
LIVRO: Crime e Castigo
Rodion Romanovitch Raskolnikov é uma das personagens mais discutidas da literatura universal, com influências e inifinitas discussões, teses, especulações e até mesmo reedições do personagem em outras obras; ainda é amplamente reeditado no teatro e no cinema. Alguns o consideram o primeiro personagem esquizofrênico da literatura, outros um monomaníaco, embora pareça haver traços de psicose em sua personalidade. Seu nome provém da palavra russa raskol, que significa cisão. Com este nome Dostoievski já sinaliza o personagem como um homem dividido entre o desejo e sua concretização. Ele é descrito como sendo:
"... um bonito rapaz, com uns magnificos olhos escuros, o cabelo castanho, de estatura acima da mediana , magro, de muito boa figura." (Tradução de Natália Nunes, SP, Abril Cultural, 1979)
Ex-estudante, Raskolnikov mora em uma pensão dirigida pela velha Alióna Ivânovna, tirânica e que vive de agiotagem, a quem o rapaz odeia acima de tudo. As dificuldades financeiras, as condições miseráveis da pensão e sua própria saúde contribuem para o acirramento da depressão e do mau-humor de Raskolnikov.
Raskolnikov desenvolve a teoria de que existem no mundo duas classes de pessoas; as ordinárias e as extraordinárias. As primeiras devem viver na submissão e ir não muito além do que lhes convêm. Já as segundas, portadoras de um gênio excepcional, são desculpáveis pelos excessos e crimes que possam vir a cometer. É com base neste pemsamento que Raskolnikov assassina a velha Alióna, e a irmã desta, Lisavieta, que o surpreende no local do crime. A realização deste não lhe dá prazer, antes causa-lhe remorsos. Confessa seu crime a Sõnia Marmiéladova, uma prostituta, que o aconselha se entregar às autoridades, Preso, é degredado para a Sibéria.
LIVRO: Bobók
Personagem que, no início da narrativa, procura o narrador, Ivan Ivanóvitch, com a finalidade e o criticar, como os demais. Acusa-o de nunca estar sóbrio., o que dá ensejo a Ivanóvitch iniciar sua defesa perante os leitores de tudo quanto vem suportando. É, pois, uma alusão aos diversos críticos de Os Demônios, a obra mais polêmica de Dostoievski.
LIVRO: Gente Pobre
Diminutivo de Varvara. Varvara Alieksiêievna, assim tratada carinhiosamente por Makar ao longo de toda a correspondência entre os dois.
V. Varvara Alieksiêievna.
Jovem órfã com a qual Makar Diévuchkin mantém correspondência ao longo de toda a obra, numa espécie de "amor platônico", até o dia em que ela é obrigada a partir para longe com outra pessoa, deixando Makar profundamente desiudido.
Para Makar Varvara é "um pássaro do céu, criado para a alegria dos homens e adorno da natureza" (Tradução de Fátima Bianchi. SP, 2009, Editora 34).
LIVRO: O Eterno Marido
Personagem principal do romance. Morador de São Petrsburgo, cerca de trinta e oito anos. Descrito como "De aspecto muito vigoroso, alto robusto." Solitário, melancõlico e hipocondríaco, é procurado em uma certa madrugada por Pavel Pavlovlitch. Este era casado com Natália Vassilievna, que fora amante de Veltchaninov. Deste modo, Veltchaninov é, na verdade o pai da filha de Pavel. A narrativa toda gira em torno deste "engano", desta "comédia de costumes", repetindo m mito do "eterno marido."
Raskolnikov e seu chapéu Zimmermann
LIVRO: Crime e Castigo
Chapéu de origem alemã, muito em voga na época da narrativa. Raskolnikov usa um, descrito como "um chapéu alto, redondo...mas já usado e surrado, cheio de buracos e amolgadelas, sem abas e descaído para o lado mais deformado." (Tradução de Natália Nunes. SP, 1979, Abril Cultural). Teme que o chapéu o marque e o incrimine, estragando seus planos.