LIVRO: A Alma do Lázaro
Velho pescador encontrado pelo narrador da história no Convento de Olinda, conta a este que era apelidado de Tonico, quando criança. Uma noite, saiu com seu pai no barco para vender peixes em Olinda, quando encontraram um rapaz que vivia lá isolado, leproso ( o "Lázaro" da hístória). Tonico faz amizade com Francisco, seu nome verdadeiro, e herda deste uma caixa contendo seus diários pessoais, os quais enterra após sua morte. O narrador, após conseguir a localização da caixa, resgata os diários de Francisco e os publica.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Autoridade religiosa máxima de uma Cúria Metropolitana. O pai de Tonico, aflito com a presença de um vulto na casa abandonada procura o Bispo local, que lhe revela toda a verdade sobre o misterioso desconhecido.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Fundado em 1850 com o nome de Igreja de Nossa Senhora do Carmo do Antigo Convento do Carmo de Santo Antônio de Olinda popularmemte conhecido como Igreja do Carmo de Olinda. Foi destruído na época da invasão holandesa, em 1631 e teve sua reconstrução iniciada a partir de 1654.
No início da história o narrador, um jovem acadêmico de Olinda, vagueia pela noite e vai meditar nas ruínas do convento.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Título dado a Deus, por ter criado todas as coisas, , na terra, no mar e nos céus, em seis dias (Gênesis, Capítulo 1).
Aqui Francisco, o jovem leproso, evoca a figura da mãe falecida e afirma que sua "alma, branca e pura, goza no seio do Criador." ( (Alfarrábios III, Rio, 1957. Livraria José Olympio editora. 4ª edição)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Título dado a Jesus e que significa o Ungido ou Messias, indicando assim sua missão específica, como anteriormente anunciado e prometido para a humanidade.
A referência à sua pessoa aqui é a da ressurreição de Lázaro (Evangelho de João, Capítulo 11). O Bispo refere-se ao rapaz em questão como um leproso, "um moço era como o que foi ressuscitado pelo Cristo." (Alfarrábios III, Rio, 1957. Livraria José Olympio editora. 4ª edição)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Personagem feminina da primeira história criada por Francisco, com base nas histórias contadas por sua mãe. É uma mãe corajosa e sofeedora, que luta por seus filhos.
LIVRO: A Alma do Lázaro
O autor alude ao "sopro de Deus, mens divinior", para lembrar a passagem do tempo e a finitude do homem, que ao final será apenas pó.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Invocação que profere Francisco, ao criar coragem para aproximar-se mais de Úrsula, tendo aguda consciência de seu estado, pedindo a Deus que o fulmine.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Navegador e militar português (1485-1554), primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. Fundador de Olinda, que é referida como a "nobre e florescente vila de Duarte Coelho", nas meditações noturnas do narrador.
LIVRO: A Alma do Lázaro
AUTOR: José de Alencar
Título de origem ibérica concedido aos soberanos espanhóis e portugueses, vigente até meados do século XVIII. Aqui cogita-se de enviar um procurador a El-Rei para resolver a questão do leproso abrigado na casa de Antônio.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Nome do rapaz leproso que se oculta nas ruínas da casa velha, o "Lázaro' da história, e que faz amizade com Tonico, o filho do pescador.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Chefe indígena que alia-se aos caciques Miraubi e Itabira, ajudando Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a fundar a vila de Olinda, em 1535.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Cacique que, aliado a outros chefes indígenas, ajudou Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a fundar a vila de Olinda, em 1535.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Educandário religioso fundado pela Companhia de Jesus na cidade de Olinda, Pernambuco. Fundado em 1551, como parte de um conjunto arquitetônico que incluía a Igreja de Nossa Senhora da Graça e o Seminário Maior de Nossa Senhora da Graça. O complexo foi destruído por um incêndio em 1631, e reconstruído entre 1661 e 1662.
Neste ponto da narrativa, o autor, estudante da academia de Olinda, busca a solidão e a contemplação noturna, em meio aos sítios históricos e ruínas de Olinda. Passa a relembrar os tempos áureos e históricos pelos quais passou a cidade, e agrupa o antigo colégio dos Jesuítas como um dos baluartes de resistência nas guerras da Invasão Holandesa.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Forma abreviada e simplificada do nome de Jesus Cristo, aqui usada no modo exclamativo, como invocação em um momento de perplexidade do garoto que toma amizade com o leproso da história, ao espionar o que este faz tarde da noite:
"Jesus! o corpo me tremia que nem linha d'anzol quando o peixe fisga!"(Rio, Livraria José Olympio Editora. 4ª edição, 1957)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Morador da cidade de Betãnia, na Judeia, irmão de Marta e Maria, tido como grande amigo de Jesus. A história de sua miraculosa ressurreição é contada no capítulo 11 do Evangelho de João. Após ser informado que Lázaro está gravemente doente, Jesus intenta visitá-lo, mas demora-se ainda em chegar a Betãnia.
Ao chegar, encontra Lázaro já morto e sepultado há quatro dias. Os parentes e amigos estão consternados, assim como sua irmã Maria. Marta expressa sua amargura pela ausência de Jesus e sua chegada aparentemente tardia.
Jesus ressuscita a Lázaro, fato que leva muitos judeus a crerem nele. Apesar do milagre realizado, os sacerdotes e fariseus procuram matar a Jesus e a Lázaro.
Na Hagiografia católica o dia de São Lázaro é realizado no dia 17 de dezembro, havendo aqui uma confusão com o outro Lázaro das Escrituras - o da parábola do rico e do pobre.
Em "A Alma do Lázaro" Alencar narra o drama de um jovem leproso que vive isolado, à margem da sociedade, cognominado assim de "Lázaro". Esta denominação geral dos leprosos foi muito comum no Brasil antigamente, gerando inclusive termos preconceituosos como "lazarento".
LIVRO: A Alma do Lázaro
Irmã de Francisco, o leproso. Cuida do irmão, com constrangimento, evitando ser vista pela população. Parte com o marido para Lisboa, causando grande dor em Francisco.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Também conhecido pelos nomes de Fortim de São Francisco de Olinda, Forte Montenegro e Fortim do Queijo. Fundado por Matias de Albuquerque em 1629 para defender Olinda das invasões holandesas, foi tomado por estes e só reconquistado em 1648.
O jovem narrador da história alude ao heroísmo da população local, lembrando as lutas passadas em defesa da cidade.
MARIA (1)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Escrava que serve a Francisco por algum tempo, trazendo-lhe alimentos. No final pede para que seja vendida a outro, abandonando-o também.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Bíblica mãe de Jesus. Jovem judia, esposa de José. Recebe a visita de um anjo que anuncia-lhe sua futura gravidez. Concebe do Espírito Santo a Jesus, o Cristo. Venerada na Igreja Católica como Santa e Imaculada.
Aparece invocada na Ave Maria cantada pela menina Úrsula, cuja letra Francisco reproduz na narrativa.
Guerra dos Mascates, Xilogravura de Italo Henrique, 2011
LIVRO: A Alma do Lázaro
Movimento civil e nativista ocorrido em Recife e Olinda, entre 1710 e 1711, envolvendo os principais senhores de engenho de açúcar e os comerciantes portugueses, apelidados de Mascates por venderem suas mercadorias de porta em porta.
Após a expulsão dos holandeses e com a alta dos preços do açúcar, graças à concorrência dos plantadores das Antilhas, os senhores de engenho pernambucanos passaram a tomar empréstimos junto aos comerciantes portugueses (reinóis), gerando assim uma situação de dependência econômica.
A emancipação da cidade do Recife acirrou os ânimos, pois os senhores de engenhos não aceitaram a nova situação política, que colocava em pé de igualdade os latifundiários e os comerciantes. Sob liderança de Bernardo Vieira de Melo, os olindenses se revoltaram. Os comerciantes saíram vitoriosos, ao final. O movimento lançou sementes para importantes conflitos civis posteriores, como a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador.
José de Alencar dedica um de seus romances, Guerra dos Mascates, a esta parte da história pernambucana.
O narrador afirma que a Guerra dos Mascates foi fundamental para dar a primazia de capital de Pernambuco à Cidade Maurícia, em lugar de Olinda.
Franz Post, "Cidade Maurícia e Recife"
LIVRO: A Alma do Lázaro
Parte da cidade do Recife, edificada em 1636 na ilha de Antônio Vaz, no período da Invasão Holandesa, por Maurício de Nassau. Após a expulsão dos holandeses, em 1654, passou a se chamar Povoado de Santo Antônio.
O narrador comenta que a nova povoação veio a rivalizar com Olinda, tendo inclusive a primazia de ser a primeira capital de Pernambuco.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Chefe indígena que, ao lado de Itagipe e Itabira, ajudou Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, a fundar a vila de Olinda, em 1535.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Um dos títulos atribuídos a Maria , mãe de Jesus. Sua veneração como santa começou no século XII, em Portugal, e espalhou-se pelo Brasil, notadamente na Região Norte, onde ocorre o chamado Círio de Nazaré, na cidade de Belém, durante o mês de outubro.
Antônio, o pescador, conta para o narrador como chegou a conhecer o "Lázaro" da história. Em certa noite, voltando de barco, ele e o pai avistam um vulto em uma casa abandonada. É então que o pai profere a invocação à Santa por proteção.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Antonio de Oquendo y Zandategui (1577-1640), almirante da esquadra espanhola que derrotou a armada holandesa de Adrian Pater, na Batalha Naval de Pernambuco, em 1631.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Adrian Jansz Pater, almirante holandês, derrotado pela frota espanhola de Antonio Oquendo, na Batalha Naval de Abrolhos ou Batalha Naval de Pernambuco, no período da Invasão Holandesa., em 12 de setembro de 1631. O almirante teria se lançado ao mar, envolto na bandeira de seu país, e pronunciando o epitáfio : "O oceano é o único túmulo digno de um almirante batavo."
O narrador recorda este e outros feitos navais históricos, em suas circunvagações noturnas.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Situado em Olinda. foi construído em 1585, com projeto do Frei Francisco dos Santos, e mais tarde destruído pelos holandeses no período da invasão. Foi reconstruído posteriormente. Outra importante parte da história da cidade, rememorada pelo narrador.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Antiga fortaleza reconstruída por Matias de Albuquerque, para resistir às invasões holandesas. Situava-se no istmo entre Recife e Olinda.
O narrador, estudante na Faculdade de Olinda, vagueia pela noite e contempla as ruínas históricas da cidade de Olinda, dentre elas o Forte, um dos símbolos da resistência dos brasileiros contra o invasor estrangeiro. Também conhecido como Forte de São Jorge Velho.
SÃO PEDRO GONÇALVES, IGREJA DE
LIVRO: A Alma do Lázaro
Igreja onde foi sepultada a mãe de Francisco, o leproso. Há uma Igreja com este nome, na cidade de João Pessoa, construída em 1843, mas não nos parece ser a mesma. Alencar não dá mais indicações sobre ela.
LIVRO: A Alma do Lázaro
Nome mais completo e mais comum para Satã.
Ao encontrar-se com Úrsula, a menina das Ave Marias, Francisco recebe no rosto as pétalas da roseira que esta desfolha. cai em si, tem consciência de sua precária situação e compara-se a "Satanás submergido nas trevas pela mão do Sempitetno."
LIVRO: A Alma do Lázaro
Pronome de tratamento e forma respeitosa e invocatória do nome de Deus. Invocado por Tonico, o velho pescador, no primeiro contato com o narrador:
"Bendito e louvado seja o Senhor! foi a saudação que me dirigiu." (RJ, Livraria José Olympio Editora. 4ª edição, 1957)
LIVRO: A Alma do Lázaro
Qualidade do que é eterrno, durável (sempre + eterno). Um dos atributos de Deus, aqui colocado em confronto com Satanás, na consciência de Francisco, ao receber no rosto as pétalas da roseira desfolhada por Úrsula.
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Personagem da mitologia grega. Rei da Lídia, marido de Dione, pai de Níobe e Pélope. Filho de Zeus com a princesa Plota. Para provocar os deuses, roubou seus manjares, servindo-os com a carne de seu próprio filho Pélope. Como castigo, foi lançado no Tártaro, num vale abundante de água e comida, mas sem poder saciar jamais sua sede e fome, pois os elementos naturais fugiam à sua aproximação. Vem daqui a expressão "suplício de Tântalo."
Aqui Francisco se compara a Tãntalo em sua avidez, em sua "sede de ventura", resultando de tudo isso, porém, o "mais negro fel."
LIVRO: A Alma do Lázaro
Apelido do pescador Antônio, quando criança, época em que encontra Francisco, o leproso - o "Lázaro" da história - travando com este amizade e recebendo do mesmo o encargo de cuidar de seus diários pessoais, após sua morte.
LIVRO: A Alma do Lázaro
AUTOR: José de Alencar
Menina de doze anos que, sempre ao anoitecer, entoa uma Ave Maria com voz suave, extasiando Francisco, o leproso. Os dois se conhecem posteriormente, e Úrsula chega a rezar por Francisco. É o último consolo de sua triste existência, após a partida de sua irmã Luzia e da escrava Maria. Ela morre algum tempo depois, e os familiares culpam o leproso por sua morte, esbordoando-o. Roubando o cadáver da menina , tem a casa incendiada pelos populares.